"Era noite, a chuva caía fininha e fria, que, se não encharcava algum desprevenido, molhava-o devagar. Só podia se escutar o barulhinho da chuva batendo na janela e ecoando nas ruas vazias. O único protagonista que ali atuava, era o silêncio. Ouvia-se também, o vento ressoando instantaneamente. O silêncio, contudo, trouxe o seu fiel amante, a solidão… A solidão que ali andava perplexa, pensando no por que de ser tão só, queria apenas solidificar a mudança… Mudar o significado viril e, por conseguinte de seu nome, era pra ser um mero substantivo, e não deveria ser “alguém” privado de companhia. Som, silêncio, oh…céus, o silêncio ecoa um som que persuade a mente do só, agoniza, sem salvação… Desaba ali -repleto de gotas em seu casaco- seria um momento impar, se não fosse repetido dia após dia o amargo gosto de ser só."
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"Sou as cinzas fora do cinzeiro, o copo d’água vazio dentro da pia, o vazo de flores quebrado, a carta fora do baralho, o quarto desorganizado. Sou a do cabelo liso todo bagunçado, a estressada e ao mesmo tempo sossegada, o da blusa desabotoada, a certinha, a anti-social. Sou uma romântica ambulante, o surreal, o anormal. Sou aquele café amargo que você derramou em sua blusa preferida, a xícara em pedaços, o amor entre laços. Também sou conhecida como a garota das poesias salgadas, a estranha que vive andando pelas ruas com um fone de ouvido, aquela que dorme o dia inteiro num domingo sem se preocupar. Sou a realidade fantasiada para o carnaval fora de época, a blusa amarrotada. Sou o fim do mundo, mas também o pequeno começo. Sou a esquisita andarilha em tardes escuras, a do coração mudo, a despercebida, a que não se estressa em amar, sou aquela que deixa tudo como está."
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                                  “Nunca é do jeito que eu queria. E quando é, eu não quero.

 
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